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domingo, 21 de febrero de 2021

Vinicius de Moraes

Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.








Soneto de Fidelidade - Vinicius de Moraes e Tom Jobim







martes, 11 de junio de 2019

viernes, 17 de marzo de 2017

Elis Regina (Brasil)

Nació el 17 de  marzo


Águas de Março

 

Águas de Março

É pau, é pedra, é o fim do camino
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É  a noite, é a morte, é um laco, é o anzol

É  peroba do campo, é o nó da madeira
Cainga, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira

É  o mistério profundo
É  o queira ou nao queira
É  o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vao, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das aguas de marco, é o fim da canseira
É o pé, é o chao, é a marcha estradeira
Passarinho na mao, pedra de atiradeira
Uma ave no céu, uma ave no chao
É um regato, é uma fonte
É um pedaco de pao
É o fundo do poco, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego
É uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando
É uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto
É uma prata brilhando
É a luz da manha, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada

É a garrafa de cana, o estilhaco na estrada
O projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguicado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte
É um sapo, é uma ra
É um resto de mato, na luz da manha
Sao as aguas de marco fechando o verao
É a promessa de vida no teu coracao
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É uma cobra, é um pau, é Joao, é José
É um espinho na mao, é um corte no pé
Sao as aguas de marco fechando o verao
É a promessa de vida no teu coracao
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte
É um sapo, é uma ra
É um belo horizonte, é uma febre terca
Sao as aguas de marco fechando o verao
É a promessa de vida no teu coracao
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
Pau, pedra, fim do caminho
Resto de toco, pouco sozinho
Pau, pedra, fim do caminho,
Resto de toco, pouco sozinho.
 Tom Jobim 


 

Elis Regina & Tom Jobim - "Aguas de Março"